Certo
dia, peguei-me no dia errado. Não tinha nada para fazer do lado de fora, então,
fui cuidar do lado de dentro. Fui cuidar do meu interior. Meu corpo passava
bem, o mundo, nem tanto. Nos noticiários apenas o agravamento de uma crise
financeira que afetava a quase todos, porém das razões da tal crise, poucos
eram cientes.
Eu
não podia fazer nada pelo mundo, então me permitir ser um pouco egoísta, ou
egocêntrico, (se não forem a mesma coisa) e mergulhei em mim mesmo. Entrei
dentro do meu ser e fui cuidar do meu mundo. A confusão dentro de mim era
enorme, há quanto tempo eu não faxinava aquele lugar? Eu já nem conseguia
encontrar nada.
Comecei
pelas lembranças da infância. Muita coisa precisava ser descartada, mas outras
mereciam um lugar melhor dentro de mim. Passei pelo primeiro tombo de
bicicleta, o primeiro beijo, primeiros amigos e fui passando por fases da minha
vida. Era muita sujeira para limpar, muito entulho, bastantes telhas de aranha.
O
pó do tempo e do descaso empoeiravam cenas, memórias, conquistas e derrotas que
apodreciam dentro de mim.
Aos
poucos fui soprando, limpando, dando lustre aos troféus que se encontravam em
meu interior. Eu me perguntava:
-
Como pude esquecer tanta coisa? Quanta coisa valiosa existia dentro de mim, e
eu, cego por buscar riquezas do mundo externo, deixei que tanta coisa boa,
fosse sendo entulhada.
De
repente, entre as aulas de músicas, ali, em um cantinho de pouca luz, eu vi.
Era um presépio velho e sujo:
–
Meu Deus – exclamei – Como pude esquecer tal coisa? E aproximei-me daquele
objeto.
O
menino Jesus estava com os braços abertos e cheios de amor para dar.
Convidava-me para pegá-lo, como se estivesse carente, com saudade, e em seu
olhar, uma esperança de quem sabia que um dia eu voltaria. A sua mãe, ajoelhada
do seu lado com as mãos em oração, parecia dar graças a Deus por eu ter
voltado. As suas preces tinham sido atendidas. Enfim, chegara o dia de saírem
daquele cantinho triste de esquecimento para ocupar um lugar de mais destaque
dentro de mim. O São José estava feliz, cabisbaixo, mas feliz. Como um pai que
ver o filho retornar, e deposita nele todo o carinho que a distância um dia o
privou de expressar.
Agora
então, eu procurava um lugar digno para aquela obra de arte. Qual seria o
melhor lugar dentro de mim para se guardar um presépio? Tinha que ser um lugar
bem agradável. Visível, para que eu nunca mais o esquecesse. Bonito, para
combinar com a formosura do monumento. Com bastante calor humano, para
compensar o tempo de esquecimento.
Não
foi difícil achar. Entre as minhas birras de criança para não ir à missa, o
ensaio do coral, a primeira comunhão e a crisma, existia um lugar perfeito,
ali, bem ao centro de tudo isso.
E
ali depositei o Menino Criador, a jovem Mãe do Salvador e o Carpinteiro de
Nazaré. Estavam tão lindos. Felizes, não por eles, mas por mim. O menino
risonho e cheio de vida humana e divina sabia bem que, ao retornar ao centro da
minha fé, minha vida seria mais feliz, mais perfeita, assim como ele. No
entanto, para fazer este trabalho de renovação na minha existência, ele contava
com a ajuda da sua mãe e do seu pai. Ótimo, encontrei uma família para cuidar
de mim. Uma sagrada Família!
Por
tanto, descobri que o melhor lugar para se montar um presépio, é no centro da
nossa fé, no nosso ser. Ali não se junta poeira nem pó, não se esquece, e de
fato, é o único lugar que realmente importa para a Sagrada Família. O Melhor
lugar para se montar um presépio, é dentro de nós mesmos.
Bruno Rodrigo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil


Sempre é bom refletir e retomar o verdeiro sentido do natal!
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