É muito difícil encontrar o amor de nossa vida. É muito difícil encontrar a alma gêmea, a pessoa que é a metade que se ajusta perfeitamente ao coração para formar uma só carne. É uma tarefa tão árdua, tão cansativa e tão repleta de acertos e erros que muitas vezes dá vontade de desistir de tudo!
A tarefa se torna muito mais difícil quando não se fica entregando o coração a qualquer um que passa, como se fosse panfleto entregue aleatoriamente aos transeuntes. Fazer isso é saber que o ele vai ser amassado e jogado na sarjeta menos de dois metros depois. Eu não faço isso! Não entrego meu coração com se fosse um panfleto. Não quero que seja jogado fora e sofra sendo pisado, rasgado e arrastado para o esgoto. E não quero pegar corações entregues na rua. Não pego porque não vou ter coragem de jogá-los fora e, como não os conheço, sei que não poderei cuidar deles. Também não vou levá-los para casa para guardá-los numa gaveta esquecida. Não quero dessa forma!
Também se torna difícil quando não se fica indo a leilões para arrematar corações que ninguém mais quis. Ou então quando não se está disposto a colocar o próprio coração em um leilão público para ser arrematado por qualquer um que dê o maior lance. Não vou a leilões arrematar corações e de forma nenhuma vou colocar meu coração num pregão! Corações comprados podem ser vendidos e, quando não se acha comprador, podem ser jogados fora.
E quantas pessoas tenho visto fazendo isso! Gente pegando corações na rua ou entregando seu coração ao primeiro que passa! Que dor terrível para ambos, para quem entrega e para quem pega. Ou gente leiloando o coração todos os dias... Quem compra, algumas vezes devolve; outras vezes, joga fora! Eu não quero que meu coração seja devolvido quando eu o der livremente. Muito menos quero vê-lo sendo jogado fora como coisa que não presta mais!
Não. Eu não nasci para fazer assim com o meu coração e com o coração de outra pessoa! Não nasci para isso. Não quero e não faço assim com o meu coração e com o coração de outra pessoa! Por isso, digo que é tão difícil encontrar a alma gêmea, a pessoa certa!
O poeta estava tristemente enganado! E eu não aceito a verdade dele quando disse que “o amor seja eterno enquanto dure”. Amor que é eterno enquanto dura já nasce destinado ao fracasso e à morte. É como abortar. Faz-se o filho e faz-se o aborto em seguida. Que sentido tem isso? Para quê começar um namoro, por exemplo, já sabendo que ele vai ser terminado daqui a alguns meses? Para quê casar-se, já tendo em mente que vai ser feito um divórcio anos depois?
O amor é eterno porque rompeu as barreiras do tempo. O amor é eterno porque ultrapassa o tempo e não acaba. Dura para sempre. Dura por si mesmo. Vai além das dores, das alegrias, das vitórias, das derrotas, da beleza, da idade... Doa-se a si mesmo. Entrega-se plenamente. Abre mão da própria vida em função do outro. Isto é o amor. Eterno. É o que eu acredito. É o que eu vivo. Apenas já não sei mais se existe alguém que pense como eu. Talvez nem exista mesmo!
Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil







