quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Passei muitos anos...



Passei muitos anos,
talvez até mesmo décadas,
esperando por minha felicidade.

Em um dia qualquer de julho,
ela chegou.
Chegou serena,
sem fazer barulho,
sem revirar o mundo.
Mas chegou!

E eu me senti seguro,
pois ela me deu segurança.
Eu me senti tranquilo,
pois ela era cheia de serenidade.

Mas, assim como pingos de chuva na janela,
foi uma felicidade tão efêmera,
tão passageira...
durou tão pouco tempo,
tão pouco...
bem menos do que eu queria
e do que eu esperava...

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Qual o melhor lugar para se montar um presépio?



Certo dia, peguei-me no dia errado. Não tinha nada para fazer do lado de fora, então, fui cuidar do lado de dentro. Fui cuidar do meu interior. Meu corpo passava bem, o mundo, nem tanto. Nos noticiários apenas o agravamento de uma crise financeira que afetava a quase todos, porém das razões da tal crise, poucos eram cientes.

Eu não podia fazer nada pelo mundo, então me permitir ser um pouco egoísta, ou egocêntrico, (se não forem a mesma coisa) e mergulhei em mim mesmo. Entrei dentro do meu ser e fui cuidar do meu mundo. A confusão dentro de mim era enorme, há quanto tempo eu não faxinava aquele lugar? Eu já nem conseguia encontrar nada.

Comecei pelas lembranças da infância. Muita coisa precisava ser descartada, mas outras mereciam um lugar melhor dentro de mim. Passei pelo primeiro tombo de bicicleta, o primeiro beijo, primeiros amigos e fui passando por fases da minha vida. Era muita sujeira para limpar, muito entulho, bastantes telhas de aranha.

O pó do tempo e do descaso empoeiravam cenas, memórias, conquistas e derrotas que apodreciam dentro de mim.

Aos poucos fui soprando, limpando, dando lustre aos troféus que se encontravam em meu interior. Eu me perguntava:

- Como pude esquecer tanta coisa? Quanta coisa valiosa existia dentro de mim, e eu, cego por buscar riquezas do mundo externo, deixei que tanta coisa boa, fosse sendo entulhada.

De repente, entre as aulas de músicas, ali, em um cantinho de pouca luz, eu vi. Era um presépio velho e sujo:

– Meu Deus – exclamei – Como pude esquecer tal coisa? E aproximei-me daquele objeto.

O menino Jesus estava com os braços abertos e cheios de amor para dar. Convidava-me para pegá-lo, como se estivesse carente, com saudade, e em seu olhar, uma esperança de quem sabia que um dia eu voltaria. A sua mãe, ajoelhada do seu lado com as mãos em oração, parecia dar graças a Deus por eu ter voltado. As suas preces tinham sido atendidas. Enfim, chegara o dia de saírem daquele cantinho triste de esquecimento para ocupar um lugar de mais destaque dentro de mim. O São José estava feliz, cabisbaixo, mas feliz. Como um pai que ver o filho retornar, e deposita nele todo o carinho que a distância um dia o privou de expressar.

Agora então, eu procurava um lugar digno para aquela obra de arte. Qual seria o melhor lugar dentro de mim para se guardar um presépio? Tinha que ser um lugar bem agradável. Visível, para que eu nunca mais o esquecesse. Bonito, para combinar com a formosura do monumento. Com bastante calor humano, para compensar o tempo de esquecimento.

Não foi difícil achar. Entre as minhas birras de criança para não ir à missa, o ensaio do coral, a primeira comunhão e a crisma, existia um lugar perfeito, ali, bem ao centro de tudo isso.

E ali depositei o Menino Criador, a jovem Mãe do Salvador e o Carpinteiro de Nazaré. Estavam tão lindos. Felizes, não por eles, mas por mim. O menino risonho e cheio de vida humana e divina sabia bem que, ao retornar ao centro da minha fé, minha vida seria mais feliz, mais perfeita, assim como ele. No entanto, para fazer este trabalho de renovação na minha existência, ele contava com a ajuda da sua mãe e do seu pai. Ótimo, encontrei uma família para cuidar de mim. Uma sagrada Família!

Por tanto, descobri que o melhor lugar para se montar um presépio, é no centro da nossa fé, no nosso ser. Ali não se junta poeira nem pó, não se esquece, e de fato, é o único lugar que realmente importa para a Sagrada Família. O Melhor lugar para se montar um presépio, é dentro de nós mesmos.

Bruno Rodrigo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Te Beijar...


Te beijar...
Sentir teus lábios
O sabor de teus lábios
A força de teus lábios!

Te beijar...
Sentir tua língua
Brincar com tua língua
Brincar em tua língua...

Te beijar...
Sentir tua pele
O gosto de teu corpo
O cheiro de teu corpo!

Te beijar...
Sentir a tua segurança
O calor de teu coração
A proteção de tuas mãos...

Te beijar...
Esquecer o tempo
Eternizar o tempo
Vencer o tempo...

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte – Minas Gerais – Brasil 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Fraternidade ocular



Ao meu irmão Marcos José

Olhas-me de um jeito diferente
imitas assim o meu bom Deus
Afinal, quando me olhas sinto orgulho de ser quem sou
sinto-me parte integrante das obras divinas
isso porque o seu olhar é divino
e Mais Divino ainda é aquele que nos criou.
Criou a mim
e criou o seu olhar.
Sou pequeno grão de mostarda
ainda bem que tenho teus os olhos, faloretes de Deus, para me guiar

Continues me olhando
continuarei fazendo coisas para que possas observar
Se algum dia emarejares os olhos de lágrimas
Por favor, não as contenhas
Deixe o pranto rolar,
e lavar os faróis que Deus pôs na fronte do teu semblante,
e assim como antes,
recebo o seu olhar
e devolvo o meu cheio de respeito e contridão.
Outros olhares já me machucaram, mas o teu me cura
pois fui criado do teu sangue para ter orgulho de chamá-lo de irmão. 

Bruno Rodrigo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil

sábado, 15 de setembro de 2012

A vida nos surpreende...



A vida nos surpreende. Surpreende com acontecimentos bons e acontecimentos ruins. Mas, principalmente, nos surpreende com uma infinidade de acontecimentos agradáveis que nos deixam felizes e nos faz sentirmo-nos bem.

Geralmente, passamos muito tempo procurando por isso ou por aquilo. Algumas vezes, fazemos nossas buscas em tempos, lugares e pessoas que nunca são os lugares, tempos e pessoas certas. Com isso, acabamos conseguindo somente frustração e, por fim, apenas desistimos. Largamos nossas buscas, nossos objetivos, nossos ideais e então passamos a seguir sem rumo, sem sonhos e sem aquela disposição magnífica que a procura proporciona.

Como bem disse o sábio hebreu, “há um tempo certo para tudo.” Por isso, não adianta procurar em tempos e lugares que ainda não são o tempo e o lugar certos. Assim como a natureza tem seu tempo definido para tudo, a vida também tem seu tempo definido. O tempo transcorre de maneira uniforme, embora um sem número de fatores possa fazer com que nossa percepção mude e o percebamos ir mais rápido ou ir mais devagar. O físico bem sabia disso! E concluiu que tudo era relativo.

Nós, geralmente, não entendemos nem o que o sábio hebreu falou e nem o que o físico disse. Em nossa ânsia de resultados, corremos contra o tempo e mesmo assim sequer chegamos ao lugar certo para permitir que nossos sonhos, projetos e objetivos sejam concretizados.

Ora, as boas surpresas da vida, para que aconteçam, precisam ser permitidas por nós. Sim, precisamos permitir à vida que nos surpreenda no dia a dia, nos pequenos acontecimentos, nos sorrisos bonitos e nos olhares cativantes. São essas pequenas surpresas que preparam o caminho para as grandes surpresas que mudam completamente a nossa vida e nos deixam felizes. 

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

sábado, 14 de julho de 2012

É muito difícil encontrar o amor de nossa vida...


É muito difícil encontrar o amor de nossa vida. É muito difícil encontrar a alma gêmea, a pessoa que é a metade que se ajusta perfeitamente ao coração para formar uma só carne. É uma tarefa tão árdua, tão cansativa e tão repleta de acertos e erros que muitas vezes dá vontade de desistir de tudo!

A tarefa se torna muito mais difícil quando não se fica entregando o coração a qualquer um que passa, como se fosse panfleto entregue aleatoriamente aos transeuntes. Fazer isso é saber que o ele vai ser amassado e jogado na sarjeta menos de dois metros depois. Eu não faço isso! Não entrego meu coração com se fosse um panfleto. Não quero que seja jogado fora e sofra sendo pisado, rasgado e arrastado para o esgoto. E não quero pegar corações entregues na rua. Não pego porque não vou ter coragem de jogá-los fora e, como não os conheço, sei que não poderei cuidar deles. Também não vou levá-los para casa para guardá-los numa gaveta esquecida. Não quero dessa forma!

Também se torna difícil quando não se fica indo a leilões para arrematar corações que ninguém mais quis. Ou então quando não se está disposto a colocar o próprio coração em um leilão público para ser arrematado por qualquer um que dê o maior lance. Não vou a leilões arrematar corações e de forma nenhuma vou colocar meu coração num pregão! Corações comprados podem ser vendidos e, quando não se acha comprador, podem ser jogados fora.

E quantas pessoas tenho visto fazendo isso! Gente pegando corações na rua ou entregando seu coração ao primeiro que passa! Que dor terrível para ambos, para quem entrega e para quem pega. Ou gente leiloando o coração todos os dias... Quem compra, algumas vezes devolve; outras vezes, joga fora! Eu não quero que meu coração seja devolvido quando eu o der livremente. Muito menos quero vê-lo sendo jogado fora como coisa que não presta mais!

Não. Eu não nasci para fazer assim com o meu coração e com o coração de outra pessoa! Não nasci para isso. Não quero e não faço assim com o meu coração e com o coração de outra pessoa! Por isso, digo que é tão difícil encontrar a alma gêmea, a pessoa certa!

O poeta estava tristemente enganado! E eu não aceito a verdade dele quando disse que “o amor seja eterno enquanto dure”. Amor que é eterno enquanto dura já nasce destinado ao fracasso e à morte. É como abortar. Faz-se o filho e faz-se o aborto em seguida. Que sentido tem isso? Para quê começar um namoro, por exemplo, já sabendo que ele vai ser terminado daqui a alguns meses? Para quê casar-se, já tendo em mente que vai ser feito um divórcio anos depois?

O amor é eterno porque rompeu as barreiras do tempo. O amor é eterno porque ultrapassa o tempo e não acaba. Dura para sempre. Dura por si mesmo. Vai além das dores, das alegrias, das vitórias, das derrotas, da beleza, da idade... Doa-se a si mesmo. Entrega-se plenamente. Abre mão da própria vida em função do outro. Isto é o amor. Eterno. É o que eu acredito. É o que eu vivo. Apenas já não sei mais se existe alguém que pense como eu. Talvez nem exista mesmo!

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quando está chovendo...


Quando está chovendo,
gosto da chuva...
até mesmo quando me molho.
Chuva é para molhar mesmo!

Quando está de sol,
gosto do sol...
mesmo quando está forte!

E quanto ao vento,
gosto mesmo!
Bom demais o vento!

E quanto a dizer te amo,
só depois de molhar mesmo numa chuva daquelas,
depois de queimar até ficar vermelho no sol do meio-dia
e depois de quase ser carregado pelo vento...

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Heliton Campos

Heliton Campos nasceu em Santo Antônio do Monte, cidade da Região Centro-Oeste de Minas Gerais, em 23 de Agosto de 1994. Atualmente, está cursando o último ano do Ensino Médio na Escola Estadual Doutor Álvaro Brandão e também o Curso de Química do SENAI, em Santo Antônio do Monte. Tem duas citações que considera importantes: “Não tenha pena dos mortos e sim dos vivos, principalmente daqueles que vivem sem amor” e “Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes”. A primeira é de J.K. Rowling e a segunda de Isaac Newton.

Prince Terano

Pseudônimo de Renato Vianna, que nasceu e mora na cidade do Rio de Janeiro.  Tendo cursado o Ensino Médio no Colégio Estadual Vicente Jannuzzi, atualmente está estudando na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. A seu respeito, ele afirma: “Tenho o maior medo desse negócio de ser normal.” E, ainda, já se considera como cidadão mineiro honorário, com especial carinho por Lagoa da Prata e Santo Antônio do Monte. 

Geizilaine Camila Rezende

Geizilaine Camila Rezende nasceu em Moema, cidade da Região Centro-Oeste de Minas Gerais, em 05 de Abril de 1986. Atualmente, reside em Santo Antônio do Monte, cidade da mesma região mineira. Formada em Direito pela FACED – Faculdade de Ciências Econômicas de Divinópolis, e pós-graduada pela FADOM – Faculdade de Direito do Oeste de Minas, participa ativamente do Movimento Católico Cursilho de Cristandade bem como de atividades ligadas à Jornada Mundial da Juventude, evento católico internacional organizado pela Igreja Católica periodicamente.

Walmir Lacerda

Walmir Lacerda nasceu em 31 de Maio de 1994 em Santo Antônio do Monte, Minas Gerais. Iniciou o Ensino Médio no IFMG – Campus Ouro Preto e, atualmente, reside em Santo Antônio do Monte, onde está concluindo o 3º Ano na Escola Estadual Doutor Álvaro Brandão.

Desde setembro de 2010, mantém o blog “A Órbita”, no qual publica seus textos e, principalmente, seus poemas.

Para conhecer a obra de Walmir, acesse A Órbita

Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos

Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos é natural de Pirapora, cidade do norte de Minas Gerais. Atualmente, reside em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro. Formado em Letras em 2011 pela UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais, tendo estudado no Campus da FUNEDI – Fundação Educacional de Divinópolis, publica seus textos, crônicas, contos e poemas no blog “A Partir de Uma Palavra”. Para ele, “valorizar as palavras do nosso dia a dia, expressando-as de maneira poética, filosófica, e por que não, racional, é transformar o rotineiro em algo permanente, que se eterniza através do processo da escrita. Então, vamos refletir sobre isso?”
Para conhecer mais da obra de Bruno, acesse A Partir de Uma Palavra

Otávio Augusto Firmino Tavares

Otávio Tavares nasceu em 03 de Junho de 1996, em Lagoa da Prata, cidade da Região Centro-Oeste de Minas Gerais. Atualmente, está cursando o Ensino Médio na Escola Estadual Chico Resende, nesta mesma cidade.

Em suas próprias palavras, ele assim se define: “Uma pessoa normal, que gosta de rock e clássicos. Prefere a noite do que o dia, gosta de ler e estudar. Ver filmes de madrugada, beber sprit, comer comida de fácil preparo. Gosto de ficar sem nada para fazer. Enfim, gosto de muitas coisas, e o que eu não gosto não me convém dizer. Tenho 16 anos, gosto de gatos, amo Panic! At The Disco, idolatro o Brendon Boyd Urie, sou muito fã da Fresno, amo coisas ligadas ao espiritismo, não bebo café compulsivamente, fico horas do dia no Tumblr, gosto muito de escrever, tiro notas boas na escola, amo animes e seriados...e o resto depois complemento.”

Nilson Antônio da Silva

Imagine eu escrevendo sobre quem sou eu...! Fica muito estranho! Para começar, eu me vejo de um jeito e as pessoas todas cada uma me vê de outro! Cheguei a pedir para um amigo que escrevesse sobre mim; mas, como a preguiça deve ter se agarrado nele, o jeito foi eu mesmo falar de mim! Então, vamos lá. Sou graduado em Língua Portuguesa e Língua Inglesa pela UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais, tendo estudado no campus da Fundação Educacional de Divinópolis, em Divinópolis, em me formado em 2011. Sou de Santo Antônio do Monte, cidade da Região Centro-oeste de Minas Gerais, onde estudei inicialmente na então Escola Estadual Amâncio Bernardes. Depois, terminei meus estudos na Escola Estadual Dr. Álvaro Brandão. 
Já tenho publicadas as obras: “Partilhando”, publicado em 2010, que reúne artigos escritos para o Jornal Partilhando, da Paróquia Santo Antônio, de Santo Antônio do Monte; “História de Santo Antônio do Monte’, publicado também em 2010, que escrevi em português e em inglês; finalmente, “Poemas de Viagem”, publicado em 2011.
Gosto de desafios e de conseguir o que é difícil, gosto do Facebook, de música (Coldplay, U2, Hoobastank e companhia, claro!) e também gosto muito de ver filmes e seriados. Ah, quase me esqueci de Big Apple com Schweppes! Tequila também é muito bom! Enfim, o que vale enquanto estamos aqui é amar a vida e os bons amigos, porque a vida é curta e os bons amigos são poucos.

Conheça mais do que já escrevi nestes blogs:
Partilhando e Samonte 1758

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Sopro da Morte


Das minhas mãos correm sangue
Das batalhas lutadas
Das vitórias não gloriosas
Dos amigos perdidos

Oh! Quão cego me ponho em sua frente
E deixo as palavras ficarem mudas
Deixo também o berro do silêncio reinar

Que vida pacata esta que levo
Nem pouca coisa me faz animar
Nem o brilhar do sol
Ou mesmo os raios de luar,
E como Lobo Solitário vivo,
e como ele, morrerei.
Mas ainda que me venha o sopro da morte me lembrarei:
Dos amores que não tive
Das esperanças desperdiçadas
Da lealdade que mantive
Das pessoas, lembrarei não o que falaram, mas sim os atos que me iludiram.

Quando vier o sopro da morte,
Que venha de uma vez e me tire tudo
Nas deixe somente a lealdade que tenho
Para que não me possa deixar fugir de todas as minhas responsabilidades
de todas elas, até a da morte...

Espero que não me agonize
Espero que não seja demorada
Espero que não me mate
Espero que não me deixe vivo

Ao Sopro da Morte escrevo...

Prince Terano
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

Sem você

Sou louco, fanático...
Às vezes desmiolado
Sou o desacato
Que está sendo desacatado.

Sou um grande pequeno mentiroso
Sou a verdadeira mentira
Sou que pega fogo
De vez em quando uma pira

Sou o elétrico
O fantástico
Sou tudo sou...
Nada

Sou calado
Às vezes fechado
Sou o grande perdedor
Quer dizer... O invencível perdedor
Sou o ganhador
Inacreditável, mas, ganhador...
Sou tudo na sua vida
Sou seu eterno e comida
Que vem digerindo até...
A eternidade, nada...

Sou o único que me fez sexo com você
Sou o único que te ama; virgem...
Sou a besteira mais idiota
Da sua vida

Sou o eu que não sou
Sou o meu querer sem ter
Sou o teu que é tudo
Vou ser a andorinha voando para te vê

Sou eu, não sou...
Sou teu, não sei...
Sou de um nobre
Até de um burguês

Sou a vida
Que a vida
Me deu,
Sou um cristão
Um judeu
Um ateu (...).

Poderia ser de meus amigos,
Mas não tenho amigo.
Poderia ser do meu leal,
Mas a lealdade que tinha, morreu.
Poderia ser de quem me ajuda,
Mas quem me ajudava já não está aqui.
Poderia ser do meu passado,
Mas ele já passou.
Poderia ser do meu caminho onde ando,
Mas ele está muito longe de acabar.
Poderia ser do meu ser,
Se eu tivesse algum.
Poderia ser da vida,
Mas a própria vida sumiu.
Poderia ser do nada,
Se o tudo não tivesse levado.

Poderia...
Poderia...
Se a vida pudesse
Se os amigos fossem leais
Se a ajuda não estivesse no passado
Se o caminho não estivesse com meu ser
Se eu não estivesse aqui sem você.

Prince Terano
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

domingo, 24 de junho de 2012

Eu preciso de ritos...


Eu ainda não entendi porque as pessoas não aprenderam a valorizar a rotina.

Claro! Eu preciso me explicar primeiro: sempre ouço pessoas dizendo “não deixe sua amizade cair na rotina”; “não deixe seu trabalho cair na rotina”; “não deixe seu casamento cair na rotina”. Enquanto outras pessoas afirmam: eh... a culpa foi toda dele, afinal deixou o relacionamento cair na rotina; ele foi despedido porque fazia seu trabalho de forma rotineira e sem criatividade; deixaram de serem amigos porque a amizade boa é aquela que inova sempre.

Ah... não suporto essas frases. Será que a rotina é tão ruim assim?

A tradução de rotina no dicionário é “caminho utilizado normalmente; itinerário habitual”. Em sentido figurado é “hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo, mecanicamente; repetição monótona das mesmas coisas; apego ao uso geral, sem interesse pelo progresso”.

Deixando de pensar sobre o sentido figurado atribuído à palavra rotina e levando em consideração apenas o sentido real da palavra, posso afirmar sim... que a rotina é algo positivo.

Nossa vida é feita de caminhos habituais e isso não é ruim. É gostoso ir a um determinado bar com frequência e conhecer o garçom e o dono, e quem sabe, sentar na mesma mesa com certa habitualidade.

E conhecer o trabalho, a ponto de executá-lo com verdadeira precisão, não por falta de interesse em inovar, mas nem todos os trabalhos, são de publicidade. Certas funções devem sim ser executadas com precisão e qualidade por mãos hábeis e confiantes e confiança só se adquire com tempo e esforço.

E em um relacionamento não poderia ser diferente. É pela rotina que se conhece o outro. Que se aprende sobre gostos, gestos e até mesmo sobre a ausência deles. Inovar não é garantia de felicidade ou de alegria constante.

Somos quem podemos ser e não é porque uma pessoa gosta de dormir com um determinado pijama duas vezes por semana que ela é mais ou menos divertida.

No livro “O Pequeno Príncipe” tem uma frase que eu adoro e que resume grande parte da minha essência: “eu preciso de ritos” e eu realmente preciso. Sou incapaz de fazer as coisas sem entusiasmo e aprendi como encontrar entusiasmo em tarefas repetitivas. O entusiasmo vem do amor com que executamos as tarefas. Não são as tarefas novas que tiram a “rotina” da vida, mas sim o amor!

Geizilaine Camila Rezende
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil