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quarta-feira, 12 de março de 2014

Gostaria de ter por perto...


Gostaria de te ter por perto nem que seja por um instante, mas veja bem, meu bem, também sonhava em ser escritor, hoje tenho apenas alguns rascunhos. Nunca me imaginei quando criança ser o adulto que me tornei, mas a vida se encarregou de me levar para um caminho totalmente diferente, e confesso que estou preso em um passado que me tortura diariamente. Não me vejo feliz, não tenho motivos para sorrir. Posso dizer que a melhor parte do meu dia é quando estou dormindo, pois é mais fácil me encontrar com você, mesmo que sua face seja totalmente diferente em meus sonhos eu sei que é você, de uma forma ou de outra, sempre é você. 

É engraçado como ainda tento escrever, e não tenho mais todo o entusiasmo de quando tinha apenas 13 anos. Eu gostava de escrever sobre pássaros e todos os animais que abandonavam seus familiares e “amigos” para viverem grandes aventuras pelos céus, em outras palavras, serem livres. Escrever hoje é me prender em uma historia, é me sufocar nas palavras que eu não disse, ou nas que foram em vão dizer. É triste não ter perspectivas quando se conhece o amor da sua vida aos 16, e esse amor não preenche suas expectativas. E sabe da melhor? Minha mãe ri quando digo que te amo sem ao menos te conhecer. Se ela pelo menos pudesse te conhecer, saberia que não é apenas pelo acaso ou por circunstancias do destino que afirmo que nunca amarei alguém como te amei.

Sobretudo, este rascunho na qual chamo de vida está para mudar. Voltei a escrever, não sobre pássaros ou qualquer outro animal, mas voltei a escrever sobre o que me deixa preso, sobre o que ainda preciso esquecer, mesmo que eu não queira. Decidi seguir em frente, e lidar que perdas realmente são necessárias, mesmo que ironicamente nunca se teve o que perder. E mesmo que falte entusiasmo, mesmo que o choro seja mais forte que minha vontade de ser feliz, e mesmo que você me prenda, estarei livre para escrever sobre nós, e como teríamos sido felizes juntos. 

Devo ou não a você, toda a falta de inspiração.

Otávio Tavares

Lagoa da Prata – Minas Gerais – Brasil

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Qual o melhor lugar para se montar um presépio?



Certo dia, peguei-me no dia errado. Não tinha nada para fazer do lado de fora, então, fui cuidar do lado de dentro. Fui cuidar do meu interior. Meu corpo passava bem, o mundo, nem tanto. Nos noticiários apenas o agravamento de uma crise financeira que afetava a quase todos, porém das razões da tal crise, poucos eram cientes.

Eu não podia fazer nada pelo mundo, então me permitir ser um pouco egoísta, ou egocêntrico, (se não forem a mesma coisa) e mergulhei em mim mesmo. Entrei dentro do meu ser e fui cuidar do meu mundo. A confusão dentro de mim era enorme, há quanto tempo eu não faxinava aquele lugar? Eu já nem conseguia encontrar nada.

Comecei pelas lembranças da infância. Muita coisa precisava ser descartada, mas outras mereciam um lugar melhor dentro de mim. Passei pelo primeiro tombo de bicicleta, o primeiro beijo, primeiros amigos e fui passando por fases da minha vida. Era muita sujeira para limpar, muito entulho, bastantes telhas de aranha.

O pó do tempo e do descaso empoeiravam cenas, memórias, conquistas e derrotas que apodreciam dentro de mim.

Aos poucos fui soprando, limpando, dando lustre aos troféus que se encontravam em meu interior. Eu me perguntava:

- Como pude esquecer tanta coisa? Quanta coisa valiosa existia dentro de mim, e eu, cego por buscar riquezas do mundo externo, deixei que tanta coisa boa, fosse sendo entulhada.

De repente, entre as aulas de músicas, ali, em um cantinho de pouca luz, eu vi. Era um presépio velho e sujo:

– Meu Deus – exclamei – Como pude esquecer tal coisa? E aproximei-me daquele objeto.

O menino Jesus estava com os braços abertos e cheios de amor para dar. Convidava-me para pegá-lo, como se estivesse carente, com saudade, e em seu olhar, uma esperança de quem sabia que um dia eu voltaria. A sua mãe, ajoelhada do seu lado com as mãos em oração, parecia dar graças a Deus por eu ter voltado. As suas preces tinham sido atendidas. Enfim, chegara o dia de saírem daquele cantinho triste de esquecimento para ocupar um lugar de mais destaque dentro de mim. O São José estava feliz, cabisbaixo, mas feliz. Como um pai que ver o filho retornar, e deposita nele todo o carinho que a distância um dia o privou de expressar.

Agora então, eu procurava um lugar digno para aquela obra de arte. Qual seria o melhor lugar dentro de mim para se guardar um presépio? Tinha que ser um lugar bem agradável. Visível, para que eu nunca mais o esquecesse. Bonito, para combinar com a formosura do monumento. Com bastante calor humano, para compensar o tempo de esquecimento.

Não foi difícil achar. Entre as minhas birras de criança para não ir à missa, o ensaio do coral, a primeira comunhão e a crisma, existia um lugar perfeito, ali, bem ao centro de tudo isso.

E ali depositei o Menino Criador, a jovem Mãe do Salvador e o Carpinteiro de Nazaré. Estavam tão lindos. Felizes, não por eles, mas por mim. O menino risonho e cheio de vida humana e divina sabia bem que, ao retornar ao centro da minha fé, minha vida seria mais feliz, mais perfeita, assim como ele. No entanto, para fazer este trabalho de renovação na minha existência, ele contava com a ajuda da sua mãe e do seu pai. Ótimo, encontrei uma família para cuidar de mim. Uma sagrada Família!

Por tanto, descobri que o melhor lugar para se montar um presépio, é no centro da nossa fé, no nosso ser. Ali não se junta poeira nem pó, não se esquece, e de fato, é o único lugar que realmente importa para a Sagrada Família. O Melhor lugar para se montar um presépio, é dentro de nós mesmos.

Bruno Rodrigo
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil

sábado, 15 de setembro de 2012

A vida nos surpreende...



A vida nos surpreende. Surpreende com acontecimentos bons e acontecimentos ruins. Mas, principalmente, nos surpreende com uma infinidade de acontecimentos agradáveis que nos deixam felizes e nos faz sentirmo-nos bem.

Geralmente, passamos muito tempo procurando por isso ou por aquilo. Algumas vezes, fazemos nossas buscas em tempos, lugares e pessoas que nunca são os lugares, tempos e pessoas certas. Com isso, acabamos conseguindo somente frustração e, por fim, apenas desistimos. Largamos nossas buscas, nossos objetivos, nossos ideais e então passamos a seguir sem rumo, sem sonhos e sem aquela disposição magnífica que a procura proporciona.

Como bem disse o sábio hebreu, “há um tempo certo para tudo.” Por isso, não adianta procurar em tempos e lugares que ainda não são o tempo e o lugar certos. Assim como a natureza tem seu tempo definido para tudo, a vida também tem seu tempo definido. O tempo transcorre de maneira uniforme, embora um sem número de fatores possa fazer com que nossa percepção mude e o percebamos ir mais rápido ou ir mais devagar. O físico bem sabia disso! E concluiu que tudo era relativo.

Nós, geralmente, não entendemos nem o que o sábio hebreu falou e nem o que o físico disse. Em nossa ânsia de resultados, corremos contra o tempo e mesmo assim sequer chegamos ao lugar certo para permitir que nossos sonhos, projetos e objetivos sejam concretizados.

Ora, as boas surpresas da vida, para que aconteçam, precisam ser permitidas por nós. Sim, precisamos permitir à vida que nos surpreenda no dia a dia, nos pequenos acontecimentos, nos sorrisos bonitos e nos olhares cativantes. São essas pequenas surpresas que preparam o caminho para as grandes surpresas que mudam completamente a nossa vida e nos deixam felizes. 

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

sábado, 14 de julho de 2012

É muito difícil encontrar o amor de nossa vida...


É muito difícil encontrar o amor de nossa vida. É muito difícil encontrar a alma gêmea, a pessoa que é a metade que se ajusta perfeitamente ao coração para formar uma só carne. É uma tarefa tão árdua, tão cansativa e tão repleta de acertos e erros que muitas vezes dá vontade de desistir de tudo!

A tarefa se torna muito mais difícil quando não se fica entregando o coração a qualquer um que passa, como se fosse panfleto entregue aleatoriamente aos transeuntes. Fazer isso é saber que o ele vai ser amassado e jogado na sarjeta menos de dois metros depois. Eu não faço isso! Não entrego meu coração com se fosse um panfleto. Não quero que seja jogado fora e sofra sendo pisado, rasgado e arrastado para o esgoto. E não quero pegar corações entregues na rua. Não pego porque não vou ter coragem de jogá-los fora e, como não os conheço, sei que não poderei cuidar deles. Também não vou levá-los para casa para guardá-los numa gaveta esquecida. Não quero dessa forma!

Também se torna difícil quando não se fica indo a leilões para arrematar corações que ninguém mais quis. Ou então quando não se está disposto a colocar o próprio coração em um leilão público para ser arrematado por qualquer um que dê o maior lance. Não vou a leilões arrematar corações e de forma nenhuma vou colocar meu coração num pregão! Corações comprados podem ser vendidos e, quando não se acha comprador, podem ser jogados fora.

E quantas pessoas tenho visto fazendo isso! Gente pegando corações na rua ou entregando seu coração ao primeiro que passa! Que dor terrível para ambos, para quem entrega e para quem pega. Ou gente leiloando o coração todos os dias... Quem compra, algumas vezes devolve; outras vezes, joga fora! Eu não quero que meu coração seja devolvido quando eu o der livremente. Muito menos quero vê-lo sendo jogado fora como coisa que não presta mais!

Não. Eu não nasci para fazer assim com o meu coração e com o coração de outra pessoa! Não nasci para isso. Não quero e não faço assim com o meu coração e com o coração de outra pessoa! Por isso, digo que é tão difícil encontrar a alma gêmea, a pessoa certa!

O poeta estava tristemente enganado! E eu não aceito a verdade dele quando disse que “o amor seja eterno enquanto dure”. Amor que é eterno enquanto dura já nasce destinado ao fracasso e à morte. É como abortar. Faz-se o filho e faz-se o aborto em seguida. Que sentido tem isso? Para quê começar um namoro, por exemplo, já sabendo que ele vai ser terminado daqui a alguns meses? Para quê casar-se, já tendo em mente que vai ser feito um divórcio anos depois?

O amor é eterno porque rompeu as barreiras do tempo. O amor é eterno porque ultrapassa o tempo e não acaba. Dura para sempre. Dura por si mesmo. Vai além das dores, das alegrias, das vitórias, das derrotas, da beleza, da idade... Doa-se a si mesmo. Entrega-se plenamente. Abre mão da própria vida em função do outro. Isto é o amor. Eterno. É o que eu acredito. É o que eu vivo. Apenas já não sei mais se existe alguém que pense como eu. Talvez nem exista mesmo!

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

domingo, 24 de junho de 2012

Eu preciso de ritos...


Eu ainda não entendi porque as pessoas não aprenderam a valorizar a rotina.

Claro! Eu preciso me explicar primeiro: sempre ouço pessoas dizendo “não deixe sua amizade cair na rotina”; “não deixe seu trabalho cair na rotina”; “não deixe seu casamento cair na rotina”. Enquanto outras pessoas afirmam: eh... a culpa foi toda dele, afinal deixou o relacionamento cair na rotina; ele foi despedido porque fazia seu trabalho de forma rotineira e sem criatividade; deixaram de serem amigos porque a amizade boa é aquela que inova sempre.

Ah... não suporto essas frases. Será que a rotina é tão ruim assim?

A tradução de rotina no dicionário é “caminho utilizado normalmente; itinerário habitual”. Em sentido figurado é “hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo, mecanicamente; repetição monótona das mesmas coisas; apego ao uso geral, sem interesse pelo progresso”.

Deixando de pensar sobre o sentido figurado atribuído à palavra rotina e levando em consideração apenas o sentido real da palavra, posso afirmar sim... que a rotina é algo positivo.

Nossa vida é feita de caminhos habituais e isso não é ruim. É gostoso ir a um determinado bar com frequência e conhecer o garçom e o dono, e quem sabe, sentar na mesma mesa com certa habitualidade.

E conhecer o trabalho, a ponto de executá-lo com verdadeira precisão, não por falta de interesse em inovar, mas nem todos os trabalhos, são de publicidade. Certas funções devem sim ser executadas com precisão e qualidade por mãos hábeis e confiantes e confiança só se adquire com tempo e esforço.

E em um relacionamento não poderia ser diferente. É pela rotina que se conhece o outro. Que se aprende sobre gostos, gestos e até mesmo sobre a ausência deles. Inovar não é garantia de felicidade ou de alegria constante.

Somos quem podemos ser e não é porque uma pessoa gosta de dormir com um determinado pijama duas vezes por semana que ela é mais ou menos divertida.

No livro “O Pequeno Príncipe” tem uma frase que eu adoro e que resume grande parte da minha essência: “eu preciso de ritos” e eu realmente preciso. Sou incapaz de fazer as coisas sem entusiasmo e aprendi como encontrar entusiasmo em tarefas repetitivas. O entusiasmo vem do amor com que executamos as tarefas. Não são as tarefas novas que tiram a “rotina” da vida, mas sim o amor!

Geizilaine Camila Rezende
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ganhar, perder e descobrir...



Ganhar, perder e descobrir. Três palavras que descrevem de forma clara três situações que todos, sem exceção, vivenciam no decorrer da vida com maior ou menor intensidade de cada uma dependendo de um sem número de fatores.  Todos ganhamos, perdemos e descobrimos o que pode nos fazer bem, o que pode nos fazer falta e o que pode nos direcionar melhor em nossas decisões.

Desde o começo de nossa vida, somos obrigados a aprender a lidar com essas três situações.  Queiramos ou não, a vida nos mostra que temos que aprender a lidar com serenidade diante das perdas, com sabedoria diante dos ganhos e com humildade e coragem diante das descobertas.

Ganhamos atenção, mas também somos deixados de lado. Ganhamos amigos, mas também perdemos amigos. Ganhamos carinho, mas também experimentamos o desprezo e a indiferença. Ganhamos amor, mas conhecemos o ódio. Neste sentido, são tantas pessoas que passam pelos mesmos caminhos que trilhamos ao longo da vida, encontram-se conosco e durante algum tempo caminham conosco que, com elas e através delas, experimentamos ganhos, perdas e descobertas que marcam profundamente nossa história. 

Os amigos que fazemos, nem todos são para sempre. Muitos permanecem pouco tempo conosco; a maioria acaba se afastando e se perdendo no horizonte do tempo. São poucos, bem poucos realmente, aqueles que permanecem conosco e vencem o tempo tornando-se parte integrante de nossa vida.

Os amores... A vida tem mostrado que o poeta tinha razão ao afirmar que “são eternos enquanto duram”. Infelizmente! São tantos que vêm, chegam prometendo tudo... e tão rápido como chegam se vão embora... Raros são os que permanecem. Estes, contudo, são eternos!

Assim, ganhar, perder e descobrir são situações que conduzem o fio de nossa história. Muitos ganhos, bem como as perdas, dependem muito de nossas escolhas. São as escolhas que fazemos que, na verdade, determinam o que ganhamos, o que perdemos e até mesmo as descobertas que podemos desfrutar.

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil 

sábado, 2 de junho de 2012

Amor que ama ao infinito...



Pessoas importantes em nossa vida, geralmente, surgem de repente. Não esperamos por elas, mas, quando aparecem ao nosso lado, é como se já fizessem parte de nossa história desde sempre. Tornam-se parte integrante da carne de nosso coração e do sangue que mantém nossa vida. Então, passamos a amá-las como a nós mesmos. São tão fundamentais e essenciais em nosso dia a dia, que podemos ver nelas o que mais amamos em nós mesmos. Como disse o poeta, sentimos que “amamos nelas os muitos pedacinhos de nós mesmos espalhados em seu corpo.”

Amar não é fácil. Gostar é difícil. Amar é mais difícil ainda. Doar-se incondicionalmente, entregar-se infinitamente, dedicar-se sem expectativas... são coisas difíceis de serem feitas, de serem vividas, de serem cultivadas. Na ânsia eterna do ser humano em nunca saciar-se de amor sempre quem ama deseja ardentemente ser amado, ser reconhecido, ser valorizado, ser feito também o centro do universo do outro. Exatamente neste ponto verifica-se o paradoxo, pois ambos os corações que se amam esperam do outro a mesma atitude e a mesma intensidade de sentimentos. Quando isto não se realiza, acontece a frustração e, por fim, o amor sequer chega a frutificar.

O grande, talvez o primeiro e contínuo, problema de amar é a cobrança. Cobra-se a presença, cobra-se a disponibilidade, cobra-se ser amado. Cobranças constantes e contínuas vão machucando e destruindo os dois corações envolvidos. Então, um se cansa, o outro desiste. Amar é difícil.

A culpa é outro problema. Para os dois corações! Às vezes, um coração se sente culpado, até mesmo pelo sentimento que o outro lhe dedica e, assim, recolhe-se no silêncio. Então o silêncio de um acaba machucando o amor do outro coração. Amar é difícil.

A maturidade dos sentimentos acontece devagar, aos poucos, com o passar do tempo. No tempo certo o coração aprende que o amor, em sua forma pura, não admite e nem se baseia em cobranças e menos ainda em culpa.

Já dizia o escritor sagrado que o “amor tudo suporta e tudo perdoa.” Sim, o amor tudo perdoa, tudo suporta! Por ser amor, ama ao infinito o ser amado e não se preocupa que este reconheça o mesmo sentimento e ame de volta.

O coração que ama ao infinito simplesmente e tão somente ama ao infinito, sem cobranças e sem culpas. Quando o ser amado acolhe esse amor e permite que ele crie raízes em seu coração, o amor se realiza plenamente! Aqui me refiro ao amor em si, que é único e capaz de se manifestar em múltiplas formas e situações. Neste sentido, é preciso recorrer à língua grega: ágape, philos e eros. Em nenhum destes sentidos o amor se realiza em plenitude sem o perdão constante que é capaz de derrotar as cobranças e apagar as culpas.

Estou aprendendo muito sobre o que o coração sente, o meu coração e o coração de quem é importante para mim. Sei que é um processo de aprendizagem longo, mas também sei o quanto são importantes as pessoas que um dia chegaram a esta mesma estrada em que caminho e que comigo vão seguindo.

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O primeiro passo



Já dizia um antigo sábio chinês que toda jornada é difícil; contudo, toda caminhada começa com um primeiro passo. Não discordo... a vida, ao longo do tempo, vai ensinando que é assim mesmo. Se queremos chegar a algum lugar, sem dar o passo inicial, isso nunca acontecerá. Se almejamos conquistar algo em nossa vida, sem tomar a atitude de começar, não haverá conquista.

Nesse sentido, talvez o grande obstáculo que aparece em primeiro lugar seja o comodismo. Obstáculo simples, mas capaz de adquirir dimensões gigantescas o suficiente para aniquilar muitos e bons projetos na vida. E isso desde o começo da vida. Ora, quantos sonhos de continuar os estudos em uma faculdade são abandonados por causa de comodismo, por ser mais fácil continuar do jeito que está ou por falta de coragem de tomar gosto pelos desafios. Ou então quantos empregos melhores ou oportunidades melhores de negócios são deixados de lado por que a situação atual está boa e parece ser o suficiente para a vida. E, ainda, quantos bons relacionamentos talvez sequer comecem por falta de atitude de dar o primeiro passo, por não ter tomado a iniciativa de demonstrar os sentimentos.

Para vencer o comodismo, é preciso coragem. Mais do que coragem, é preciso tomar gosto pelos desafios, é preciso passar a amar as batalhas que surgem a cada dia e que exigem atitudes de verdadeiros e bons soldados. Atitudes de honra, fundadas na ética, no respeito, na fidelidade e na verdade. Numa batalha, o que está em jogo é a vida! Em seu decorrer, as batalhas que se apresentam no cotidiano também são determinantes, uma vez que definem o seu futuro com todas as alegrias e tristezas.

Por isso, ao iniciar este texto, falei da importância do primeiro passo de uma caminhada. O primeiro passo que marca o início, que é o começo, que determina o rumo a ser tomado... O primeiro passo que demonstra a coragem para aceitar os desafios que aparecerão ao longo da caminhada... O primeiro passo que não garante a chegada ao fim da jornada, porque nunca há um último passo, mas que é garantia de uma vida cheia de histórias e de experiências...

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

terça-feira, 29 de maio de 2012

E hoje já não sei ao certo...



E hoje já não sei ao certo o que antes era prioridade. Tanto faz ou tanto fez. Já não tenho mais medo do que possa vir pela frente, e muito menos do que está ficando para trás. Metas inalcançáveis e sonhos inabaláveis. Se não confia em si mesmo, em quem deveria confiar? Entregou-se. Entregou-se mais do que deveria. Não por opção, e sim por consequência. Não o culpo, simplesmente aconteceu. Minha vulnerabilidade tornava-se estonteante diante de você, e então me remeti sem ao menos ter um destinatário. Desde então me restrinjo a um singular de plural, a textos clichês, e a você. 

Otávio Augusto Firmino Tavares
Lagoa da Prata - Minas Gerais - Brasil

O café esfriava...



O café esfriava, assim como seus sentimentos. Nada mais fazia sentido, desde as mais devaneias memórias até aos mais subjetivos atos. Pessoas que antes lhe eram da maior importância, hoje só se importam com elas mesmas. Creio eu, no meu ápice de loucura, que não consigo diferenciar o que antes valia a pena do que hoje faz por merecer. Ao certo nada se torna mais importante que o agora. Nada mais importa. Se é que um dia importou.
Sou figurante da minha própria vida, ou existência. Pois já não sei se estou vivendo ou existindo. Quem sabe? Quem se importa? Motivos? Nenhum. Felicidade? A gente se esforça para consegui-la. Você? Por enquanto apenas nos meus sonhos.
Ah, a loucura esta tomando conta de mim. E sabe? Não estou lutando contra ela. E que venha. Se for para ser, será. Pois o que um dia se foi, nunca voltará. 

Otávio Augusto Firmino Tavares
Lagoa da Prata - Minas Gerais - Brasil

E então fazia frio lá fora...



E então fazia frio lá fora, mas não tão frio quanto aqui dentro do peito. E me disseram que a função do coração era bombear sangue... então mentiram. 
Desde pequenos somos destinados a sofrer por pessoas que não sabem retribuir o mínimo de afeto possível, pessoas que não dariam a cara a bater, ou um ombro para nos sustentar nos dias em que sentimos o peso do mundo sobre nossas costas. Desabamos, levantamos e continuamos. Nunca inteiros, sempre quebrados... às vezes, apenas o que restou de toda aquela desilusão amorosa. 
A criança cresceu, amou e sofreu. Parou de sonhar com um mundo onde todos amavam e enfrentou a realidade. Logo de início estapearam sua cara e lhe mostraram que não existiam contos de fadas, nem finais felizes. Apenas finais. Sempre finais.
“Criança, não chora, por favor...” dizia aquele que o fazia sofrer. Sem nem perceber, pequenos gestos faziam grandes saudações... Será que realmente alguém se importava com ele? Ou seria, sobretudo, uma pergunta rotineira, que se faz todo dia com qualquer um com quem ele converse? E quando percebeu já estava amando... DROGA. Não, não amava esta pessoa por ela ser perfeita. Não, ela não era perfeita. E isso que fazia tudo valer a pena. Amor... mais uma vez amor?
Apaixonando-me pelas suas qualidades e me identificando com os seus defeitos. Era assim, a cada atitude dele. A cada sorriso... ah... o seu sorriso. E então começou nossa história. A sua história, a minha história. Um singular de plural. 
Debruçado sobre as lágrimas que deixam meu travesseiro úmido penso em lhe escrever tudo que penso a seu respeito. Mas você se tornou tudo para mim, e seria impossível descrever tudo que sinto quando o vejo.
Aquelas borboletas que em meu estômago habitam, tornaram-se pássaros... e estão me machucando. Você me machuca quando está triste, me faz bem quando está feliz, ou pelo simples motivo de existir e de me desejar bom dia. 
Estes foram meus rabiscos da madrugada. Singelos rabiscos direcionados ao meu motivo de viver. Ao motivo da minha alegria, o motivo do meu sorriso, o motivo de tudo estar como está, e eu estar adorando viver cada dia. 
E só lhe peço uma coisa... seja forte, seja você, seja único. Continue assim. E não se esqueça de mim...
Obrigado por existir!

Otávio Augusto Firmino Tavares
Lagoa da Prata - Minas Gerais - Brasil