Pessoas
importantes em nossa vida, geralmente, surgem de repente. Não esperamos por
elas, mas, quando aparecem ao nosso lado, é como se já fizessem parte de nossa
história desde sempre. Tornam-se parte integrante da carne de nosso coração e
do sangue que mantém nossa vida. Então, passamos a amá-las como a nós mesmos.
São tão fundamentais e essenciais em nosso dia a dia, que podemos ver nelas o
que mais amamos em nós mesmos. Como disse o poeta, sentimos que “amamos nelas
os muitos pedacinhos de nós mesmos espalhados em seu corpo.”
Amar
não é fácil. Gostar é difícil. Amar é mais difícil ainda. Doar-se
incondicionalmente, entregar-se infinitamente, dedicar-se sem expectativas...
são coisas difíceis de serem feitas, de serem vividas, de serem cultivadas. Na
ânsia eterna do ser humano em nunca saciar-se de amor sempre quem ama deseja
ardentemente ser amado, ser reconhecido, ser valorizado, ser feito também o
centro do universo do outro. Exatamente neste ponto verifica-se o paradoxo,
pois ambos os corações que se amam esperam do outro a mesma atitude e a mesma
intensidade de sentimentos. Quando isto não se realiza, acontece a frustração
e, por fim, o amor sequer chega a frutificar.
O
grande, talvez o primeiro e contínuo, problema de amar é a cobrança. Cobra-se a
presença, cobra-se a disponibilidade, cobra-se ser amado. Cobranças constantes
e contínuas vão machucando e destruindo os dois corações envolvidos. Então, um
se cansa, o outro desiste. Amar é difícil.
A
culpa é outro problema. Para os dois corações! Às vezes, um coração se sente
culpado, até mesmo pelo sentimento que o outro lhe dedica e, assim, recolhe-se
no silêncio. Então o silêncio de um acaba machucando o amor do outro coração.
Amar é difícil.
A
maturidade dos sentimentos acontece devagar, aos poucos, com o passar do tempo.
No tempo certo o coração aprende que o amor, em sua forma pura, não admite e
nem se baseia em cobranças e menos ainda em culpa.
Já
dizia o escritor sagrado que o “amor tudo suporta e tudo perdoa.” Sim, o amor
tudo perdoa, tudo suporta! Por ser amor, ama ao infinito o ser amado e não se
preocupa que este reconheça o mesmo sentimento e ame de volta.
O
coração que ama ao infinito simplesmente e tão somente ama ao infinito, sem
cobranças e sem culpas. Quando o ser amado acolhe esse amor e permite que ele
crie raízes em seu coração, o amor se realiza plenamente! Aqui me refiro ao
amor em si, que é único e capaz de se manifestar em múltiplas formas e
situações. Neste sentido, é preciso recorrer à língua grega: ágape, philos e eros. Em nenhum
destes sentidos o amor se realiza em plenitude sem o perdão constante que é
capaz de derrotar as cobranças e apagar as culpas.
Estou
aprendendo muito sobre o que o coração sente, o meu coração e o coração de quem
é importante para mim. Sei que é um processo de aprendizagem longo, mas também
sei o quanto são importantes as pessoas que um dia chegaram a esta mesma
estrada em que caminho e que comigo vão seguindo.
Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil


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