Sei
que ao me aproximar demais do calor
a
cera frágil que une as penas de minhas asas vão derreter
Sei
que cairei sobre o teto de Poseidon, abrindo assim,
caminho
e estadia eterna no alçapão de Hades
Mas
mesmo assim,
Como
não ser livre?
De
que vale ser prudente e voar, quando na verdade
anseio
por liberdade maior?
Ainda
que eu pague com a vida
ainda
que o mar me apare e me desampare para afogar
Mesmo
que o voo seja interrompido
minha
alma tem asas próprias, viajarei para outro lugar
Bobos
são os que verão as minhas asas usurpadas
que
lamentarão a minha queda, a minha morte
Há
guerreiros menos nobres com sangue nas espadas
que
em relação a mim, serão de menos sorte
As
asas que me adentram para a história
são
de água com sal
são
as lágrimas que choro, juntamente
com
este mar que me condena
E
sim, me chamem de imprudente, irresponsável, desvairado
só
não me chamem de covarde
O
sol me atrai e eu vou
o
calor me chama e eu irei
sentirei
a cera por entre as penas
e
assim, perderei a força que outrora fora mais forte que a gravidade
Cairei
entre as espumas das águas
e
a tsunami causada pelo impacto do meu corpo inundará uma cidade
Mas
mesmo assim eu subirei
não
quero tocar o céu
sei
que isto não é possível
não
quero apalpar os calcanhares de Apolo
nem
abraçar o sol
quero
apenas subir, subir...
viver
a minha escolha ao máximo dos extremos
e
como troféu, sofrer a consequência com a mesma extremidade
e
assim, cair, cair, cair... cair
Zombem
de mim pois os que nunca sofreram uma queda tão grande
mas
lembro aos mesmo que, ao contrário de mim, jamais subirão tão alto.
Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil


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