quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Sopro da Morte


Das minhas mãos correm sangue
Das batalhas lutadas
Das vitórias não gloriosas
Dos amigos perdidos

Oh! Quão cego me ponho em sua frente
E deixo as palavras ficarem mudas
Deixo também o berro do silêncio reinar

Que vida pacata esta que levo
Nem pouca coisa me faz animar
Nem o brilhar do sol
Ou mesmo os raios de luar,
E como Lobo Solitário vivo,
e como ele, morrerei.
Mas ainda que me venha o sopro da morte me lembrarei:
Dos amores que não tive
Das esperanças desperdiçadas
Da lealdade que mantive
Das pessoas, lembrarei não o que falaram, mas sim os atos que me iludiram.

Quando vier o sopro da morte,
Que venha de uma vez e me tire tudo
Nas deixe somente a lealdade que tenho
Para que não me possa deixar fugir de todas as minhas responsabilidades
de todas elas, até a da morte...

Espero que não me agonize
Espero que não seja demorada
Espero que não me mate
Espero que não me deixe vivo

Ao Sopro da Morte escrevo...

Prince Terano
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

Sem você

Sou louco, fanático...
Às vezes desmiolado
Sou o desacato
Que está sendo desacatado.

Sou um grande pequeno mentiroso
Sou a verdadeira mentira
Sou que pega fogo
De vez em quando uma pira

Sou o elétrico
O fantástico
Sou tudo sou...
Nada

Sou calado
Às vezes fechado
Sou o grande perdedor
Quer dizer... O invencível perdedor
Sou o ganhador
Inacreditável, mas, ganhador...
Sou tudo na sua vida
Sou seu eterno e comida
Que vem digerindo até...
A eternidade, nada...

Sou o único que me fez sexo com você
Sou o único que te ama; virgem...
Sou a besteira mais idiota
Da sua vida

Sou o eu que não sou
Sou o meu querer sem ter
Sou o teu que é tudo
Vou ser a andorinha voando para te vê

Sou eu, não sou...
Sou teu, não sei...
Sou de um nobre
Até de um burguês

Sou a vida
Que a vida
Me deu,
Sou um cristão
Um judeu
Um ateu (...).

Poderia ser de meus amigos,
Mas não tenho amigo.
Poderia ser do meu leal,
Mas a lealdade que tinha, morreu.
Poderia ser de quem me ajuda,
Mas quem me ajudava já não está aqui.
Poderia ser do meu passado,
Mas ele já passou.
Poderia ser do meu caminho onde ando,
Mas ele está muito longe de acabar.
Poderia ser do meu ser,
Se eu tivesse algum.
Poderia ser da vida,
Mas a própria vida sumiu.
Poderia ser do nada,
Se o tudo não tivesse levado.

Poderia...
Poderia...
Se a vida pudesse
Se os amigos fossem leais
Se a ajuda não estivesse no passado
Se o caminho não estivesse com meu ser
Se eu não estivesse aqui sem você.

Prince Terano
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

domingo, 24 de junho de 2012

Eu preciso de ritos...


Eu ainda não entendi porque as pessoas não aprenderam a valorizar a rotina.

Claro! Eu preciso me explicar primeiro: sempre ouço pessoas dizendo “não deixe sua amizade cair na rotina”; “não deixe seu trabalho cair na rotina”; “não deixe seu casamento cair na rotina”. Enquanto outras pessoas afirmam: eh... a culpa foi toda dele, afinal deixou o relacionamento cair na rotina; ele foi despedido porque fazia seu trabalho de forma rotineira e sem criatividade; deixaram de serem amigos porque a amizade boa é aquela que inova sempre.

Ah... não suporto essas frases. Será que a rotina é tão ruim assim?

A tradução de rotina no dicionário é “caminho utilizado normalmente; itinerário habitual”. Em sentido figurado é “hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo, mecanicamente; repetição monótona das mesmas coisas; apego ao uso geral, sem interesse pelo progresso”.

Deixando de pensar sobre o sentido figurado atribuído à palavra rotina e levando em consideração apenas o sentido real da palavra, posso afirmar sim... que a rotina é algo positivo.

Nossa vida é feita de caminhos habituais e isso não é ruim. É gostoso ir a um determinado bar com frequência e conhecer o garçom e o dono, e quem sabe, sentar na mesma mesa com certa habitualidade.

E conhecer o trabalho, a ponto de executá-lo com verdadeira precisão, não por falta de interesse em inovar, mas nem todos os trabalhos, são de publicidade. Certas funções devem sim ser executadas com precisão e qualidade por mãos hábeis e confiantes e confiança só se adquire com tempo e esforço.

E em um relacionamento não poderia ser diferente. É pela rotina que se conhece o outro. Que se aprende sobre gostos, gestos e até mesmo sobre a ausência deles. Inovar não é garantia de felicidade ou de alegria constante.

Somos quem podemos ser e não é porque uma pessoa gosta de dormir com um determinado pijama duas vezes por semana que ela é mais ou menos divertida.

No livro “O Pequeno Príncipe” tem uma frase que eu adoro e que resume grande parte da minha essência: “eu preciso de ritos” e eu realmente preciso. Sou incapaz de fazer as coisas sem entusiasmo e aprendi como encontrar entusiasmo em tarefas repetitivas. O entusiasmo vem do amor com que executamos as tarefas. Não são as tarefas novas que tiram a “rotina” da vida, mas sim o amor!

Geizilaine Camila Rezende
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Hei de fortalecer-me...


Hei de fortalecer-me
Erguendo-me em frente ao pesadelo
Lamentavelmente temido pelos fracos
Inerte, permanecem meus olhos
Tão negros quanto a sombra
Opacos diante do medo
Novamente irradiam esperança

Heliton Campos
Santo Antônio do Monte/Lagoa da Prata - Minas Gerais - Brasil

Sinto-me desabando num abismo...


Sinto-me desabando num abismo
Vejo-me exilado no tártaro
Perco-me diante de tua falta
Escassez que faz-me
Imaginar-te como ser transcendental
Lembrar-te como ventura
Enxergar-te como deusa
Afrodite, de perfeita beleza
Desejada por deuses e mortais
Porém tocada por mim
Ser imperfeito e errante
Condenado à vida eterna
Almejando teu amor
Pois quando perto de ti
Cada suspiro é ultimo
Cada toque é o primeiro
Perdendo meus sentidos no vício de amar-te


Heliton Campos
Santo Antônio do Monte/Lagoa da Prata - Minas Gerais - Brasil

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Vênus


As órbitas perfeitas, recém nascidas
Do universo de um homem só
Desalinharam-se
Meu caos

Por meio pouco vejo
Pouco sei

Liberdade e amor
Se confundem
[Incolores flores de Maio]
Que nem sei como terminar

Walmir Lacerda
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

La liberación


bifurcadas, redondas e boas
estas colinas
sobem e descem
se revelam e se penetram
sinistras como fêmeas em orgasmo
safado cerrado
Salve o grito do gozo da seriema!

Walmir Lacerda
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ganhar, perder e descobrir...



Ganhar, perder e descobrir. Três palavras que descrevem de forma clara três situações que todos, sem exceção, vivenciam no decorrer da vida com maior ou menor intensidade de cada uma dependendo de um sem número de fatores.  Todos ganhamos, perdemos e descobrimos o que pode nos fazer bem, o que pode nos fazer falta e o que pode nos direcionar melhor em nossas decisões.

Desde o começo de nossa vida, somos obrigados a aprender a lidar com essas três situações.  Queiramos ou não, a vida nos mostra que temos que aprender a lidar com serenidade diante das perdas, com sabedoria diante dos ganhos e com humildade e coragem diante das descobertas.

Ganhamos atenção, mas também somos deixados de lado. Ganhamos amigos, mas também perdemos amigos. Ganhamos carinho, mas também experimentamos o desprezo e a indiferença. Ganhamos amor, mas conhecemos o ódio. Neste sentido, são tantas pessoas que passam pelos mesmos caminhos que trilhamos ao longo da vida, encontram-se conosco e durante algum tempo caminham conosco que, com elas e através delas, experimentamos ganhos, perdas e descobertas que marcam profundamente nossa história. 

Os amigos que fazemos, nem todos são para sempre. Muitos permanecem pouco tempo conosco; a maioria acaba se afastando e se perdendo no horizonte do tempo. São poucos, bem poucos realmente, aqueles que permanecem conosco e vencem o tempo tornando-se parte integrante de nossa vida.

Os amores... A vida tem mostrado que o poeta tinha razão ao afirmar que “são eternos enquanto duram”. Infelizmente! São tantos que vêm, chegam prometendo tudo... e tão rápido como chegam se vão embora... Raros são os que permanecem. Estes, contudo, são eternos!

Assim, ganhar, perder e descobrir são situações que conduzem o fio de nossa história. Muitos ganhos, bem como as perdas, dependem muito de nossas escolhas. São as escolhas que fazemos que, na verdade, determinam o que ganhamos, o que perdemos e até mesmo as descobertas que podemos desfrutar.

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil 

sábado, 9 de junho de 2012

Difícil encontrar a alma gêmea...



Por que será que é tão difícil encontrar a alma gêmea?
Por que será que o coração se engana tanto...
e procura em lugares tão errados...
e que não levam a lugar nenhum...

Por que será que nossos olhos
insistem em buscar em olhares distantes
o olhar que iluminará nossas madrugadas?
E não acha nada...

Nestes tempos tecnológicos
em que mensagens no celular nos despertam na madrugada,
o coração passa o resto do dia
diante de silêncios desoladores...

Os questionamentos permanecem...
Por que será?
Por quê?
Onde estará a outra metade de minha alma?

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil 

Tempo verbal



Amara
Amava
Amou
Ama

O sentido de mulher que vira na mãe
O jeito como a menina o tratava
A mesma menina por meses atrás
A sua própria filha fruto de todo este amor.

Olhara
Olhava
Olhou
Olha

As estrelas, do colo da mãe, pela janela
As estrelas, de cima de um banco, nas pontas dos pés, pela a janela
As estrelas, de cima de um banco, pela a janela
As estrelas, pela janela

Escrevera
Escrevia
Escreveu
Escreve

As primeiras letras, primeiros símbolos, sem significados
Poemas e poesias, coisa de criança. Quanto significado!
Alguns trabalhos escolares, universitários, coisas complexas.
Um texto poético que tenta dizer tudo o que já disse.

Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil

Felicidade



Viver é difícil.
Ninguém disse que seria fácil aprender a andar de bicicleta
Dos tombos me esqueço através do tempo
Mas, as cicatrizes me dão a medalha da vitória, afinal, hoje eu sei andar de bicicleta

Viver é complicado
Quem disse que não o seria?
Tantas vezes rasguei as folhas de caderno, raivoso, pois não conseguia escrever
Da raiva me desfaço, mas valeu a pena, hoje sou poeta

Viver é perigoso
Mas quem tentou te enganar dizendo que seria seguro?
Sim, já tive medo da falta de claridade, e por isso, tive pesadelos, mas não foi em vão
Os pesadelos agora são doces sonhos em horas de sono. Enfim, aprendi a dormir no escuro

Viver é caminhar para a morte
Assustou? Pois antes de chegar a morte passará pela velhice
descobrirá ali, o quanto amadureceu, e mesmo assim, ainda haverá muito para se "infantizar"
Valerá a pena. Viver é triunfo. É transformação
Não negue o caos que por vezes passará
Não fossem as tormentas, que graça teria a bonança do oceano?

Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil 

Lamentação de Ícaro



Sei que ao me aproximar demais do calor
a cera frágil que une as penas de minhas asas vão derreter
Sei que cairei sobre o teto de Poseidon, abrindo assim,
caminho e estadia eterna no alçapão de Hades

Mas mesmo assim,
Como não ser livre?
De que vale ser prudente e voar, quando na verdade
anseio por liberdade maior?

Ainda que eu pague com a vida
ainda que o mar me apare e me desampare para afogar
Mesmo que o voo seja interrompido
minha alma tem asas próprias, viajarei para outro lugar

Bobos são os que verão as minhas asas usurpadas
que lamentarão a minha queda, a minha morte
Há guerreiros menos nobres com sangue nas espadas
que em relação a mim, serão de menos sorte

As asas que me adentram para a história
são de água com sal
são as lágrimas que choro, juntamente
com este mar que me condena

E sim, me chamem de imprudente, irresponsável, desvairado
só não me chamem de covarde

O sol me atrai e eu vou
o calor me chama e eu irei
sentirei a cera por entre as penas
e assim, perderei a força que outrora fora mais forte que a gravidade
Cairei entre as espumas das águas
e a tsunami causada pelo impacto do meu corpo inundará uma cidade

Mas mesmo assim eu subirei
não quero tocar o céu
sei que isto não é possível
não quero apalpar os calcanhares de Apolo
nem abraçar o sol
quero apenas subir, subir...
viver a minha escolha ao máximo dos extremos
e como troféu, sofrer a consequência com a mesma extremidade
e assim, cair, cair, cair... cair

Zombem de mim pois os que nunca sofreram uma queda tão grande
mas lembro aos mesmo que, ao contrário de mim, jamais subirão tão alto.

Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil