quarta-feira, 12 de março de 2014

Ter ou Ser


Sobrescrever
Sobre escrever
E não conseguir entender
Como quem um dia quis tudo
Mas não fez por merecer.

Sobre quem deixou de lado
Por medo de não ser amado.
Se fadigar 
Por ninguém o amar.

Sobre ter 
E não ser.

Sobre esquecer o que é ser 
E não ter a quem recorrer
Sobretudo serviria de lição
A não ter o ser a quem um dia viria a pertencer .

Cruzar os braços e esperar
Deitar, chorar e espernear
Mesmo sabendo que tudo aquilo não iria voltar.

Nunca mais ira ter
Nunca mais irá ser
E quando conseguiu entender
Acabou sendo
E se foi.

Otávio Tavares

Lagoa da Prata – Minas Gerais – Brasil

Gostaria de ter por perto...


Gostaria de te ter por perto nem que seja por um instante, mas veja bem, meu bem, também sonhava em ser escritor, hoje tenho apenas alguns rascunhos. Nunca me imaginei quando criança ser o adulto que me tornei, mas a vida se encarregou de me levar para um caminho totalmente diferente, e confesso que estou preso em um passado que me tortura diariamente. Não me vejo feliz, não tenho motivos para sorrir. Posso dizer que a melhor parte do meu dia é quando estou dormindo, pois é mais fácil me encontrar com você, mesmo que sua face seja totalmente diferente em meus sonhos eu sei que é você, de uma forma ou de outra, sempre é você. 

É engraçado como ainda tento escrever, e não tenho mais todo o entusiasmo de quando tinha apenas 13 anos. Eu gostava de escrever sobre pássaros e todos os animais que abandonavam seus familiares e “amigos” para viverem grandes aventuras pelos céus, em outras palavras, serem livres. Escrever hoje é me prender em uma historia, é me sufocar nas palavras que eu não disse, ou nas que foram em vão dizer. É triste não ter perspectivas quando se conhece o amor da sua vida aos 16, e esse amor não preenche suas expectativas. E sabe da melhor? Minha mãe ri quando digo que te amo sem ao menos te conhecer. Se ela pelo menos pudesse te conhecer, saberia que não é apenas pelo acaso ou por circunstancias do destino que afirmo que nunca amarei alguém como te amei.

Sobretudo, este rascunho na qual chamo de vida está para mudar. Voltei a escrever, não sobre pássaros ou qualquer outro animal, mas voltei a escrever sobre o que me deixa preso, sobre o que ainda preciso esquecer, mesmo que eu não queira. Decidi seguir em frente, e lidar que perdas realmente são necessárias, mesmo que ironicamente nunca se teve o que perder. E mesmo que falte entusiasmo, mesmo que o choro seja mais forte que minha vontade de ser feliz, e mesmo que você me prenda, estarei livre para escrever sobre nós, e como teríamos sido felizes juntos. 

Devo ou não a você, toda a falta de inspiração.

Otávio Tavares

Lagoa da Prata – Minas Gerais – Brasil

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Os Dois Caminhos


Diante de mim estavam dois caminhos:
o caminho da luz e o caminho das trevas.
O primeiro era um caminho de vida,
cujo preço era a morte do egoísmo e do orgulho.
O segundo era um caminho de morte,
que não cobrava nada
e insinuava docemente em meus ouvidos
as maravilhas do ser eu
e da minha importância.

O segundo caminho me oferecia uma ampla visão
de delícias, de cores e de amores.
Suas canções eram doces, seu toque macio e suas palavras,
sedutoras: "Dou-te todo o prazer do mundo!"
Tudo desse caminho parecia cheio de vida
e o tempo brincava ligeiro em cada passagem.
A lógica do homem me instigava a abraçar esses prazeres.
Eu recusei.

Escolhi o caminho da luz.
“Esmaga, pois, o teu orgulho humano;
extingue teu egoísmo
e não possuas nada que chames de tua posse.
E poderás então caminhar aqui.”
Foram estas as primeiras
e duras palavras do caminho da vida.
“Não te darei nada.
Terás que lutar por tuas alegrias
e terás que aceitar as lágrimas de tuas dores.
Enquanto caminhas,
gozarás de saúde e suportarás a doença;
terás companhia
e terás solidão;
quando fraco, serás fortalecido;
quando forte, darás tua força para carregar outro.”

Escolhi o caminho da luz.
Escolhi o caminho da vida,
O caminho de quem entrega sua vontade

à vontade de Deus.

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

sábado, 24 de agosto de 2013

E de repente...


E de repente,
como disse o poeta "não mais que de repente",
bate aquela saudade dolorida,
que vem vindo devagarzinho e
vai mexendo,
vai mexendo,
até dar conta de tomar conta do coração inteiro...
e dói um pouco
vai doendo
vai doendo
vai doendo tanto...
Meu Deus...
por que tanta saudade assim?

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

sábado, 17 de agosto de 2013

Palavras humanas falham...


Às vezes, 
fico pensando como as pessoas são, 
de fato, 
no íntimo de suas almas.
E vejo que, 
realmente, 
não há sombra escura no coração que o sol não consiga revelar
ou que o tempo não venha mostrar ao mundo.

Às vezes, fico pensando nisso... 
e dói ver que as pessoas são assim mesmo, 
capazes de um dia dizer palavras doces 
e em outro transformar em nada essas mesmas palavras 
antes agradáveis.
As palavras humanas falham...

E, tendo entendido isso, 
vem o conforto de Deus cujas palavras 
“são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos.”

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Se não for feito assim...


Cartas lidas devem ser jogadas fora...
fotos velhas devem ser jogadas fora...
sms recebidas devem ser deletadas...
conversas antigas devem ser apagadas...
se não for feito assim, 
a gente acaba ficando triste...
e acaba doendo muito...
queiramos ou não...

Nilson Antônio da Silva
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Saudades


Saudades dos sonhos que passaram
das luzes que se apagaram
de quando meu coração estava despedaçado
Saudade da alegria
do perfume das flores
das canções que ouvia
dos livros que eu lia
Saudade das noites mal dormidas
do bicho papão
dos pesadelos que tinha
da moça que caía
Saudade do tempo em que queria virar celebridade
Saudade, do meu pé de abacate...


Flávia Almeida
Santo Antônio do Monte - Minas Gerais - Brasil